(*) Valdir Cardoso
Com idas e vindas patrocinadas pelos dois postulantes à sucessão do governador André Puccinelli em 2014, prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) e senador Delcídio Amaral (PT) e com uma importante eleição municipal neste ano, a eleição majoritária de 2014 entra definitivamente em compasso de espera, uma vez que ambos têm colhido frutos preciosos quando calados e perdido grande parte da colheita ao se pronunciarem ou tomar posições em momentos inadequados.
O SURFISTA
Conforme já foi definido por competente e bem informado analista político, o senador Delcídio age, sem nenhum pudor como se fosse um experiente “surfista”, aproveitando as “ondas” mais favoráveis para fazer suas incursões, porém quando sente que a onda está “morrendo” retorna ao ponto de partida no aguardo de uma nova oportunidade para pontuar.
Ocorre que algumas “ondas” são falsas e acabam levando o “surfista” a “quebrar a cara”, como ocorreu com a promessa de apoio ($$) à pré-candidatura do vereador Ângelo Guerreiro (PSD) à Prefeitura de Três Lagoas, provocando uma aproximação maior do grupo da vice-governadora Simone Tebet com o prefeito campo-grandense, selado com um pronunciamento do deputado Eduardo Rocha, esposo da vice-governadora, que declarou da tribuna que “o nosso candidato ao Governo em 2014 será o prefeito Nelson Trad Filho”.
Como o candidato adversário da prefeita Márcia Moura (PMDB) está demonstrando não ser nenhum fenômeno eleitoral, o “senador surfista” já está, discretamente, se afastando do projeto que tinha em mente de derrotar o grupo de Simone Tebet em Três Lagoas e o pré-candidato do PSD já está encontrando sérias dificuldades para ter um contato direto com o petista.
“SURFANDO” NA FRONTEIRA
Assim também ocorreu em Ponta Porã, onde havia “pego uma carona” na onda do prestígio do prefeito Flávio Kayat (PSDB), o senador Delcídio investiu pesado em uma “nova onda” na cidade fronteiriça desta feita numa tentativa dentro do seu próprio partido, quando patrocinou a filiação da advogada Sudalene Machado Rodrigues no PT, incentivando sua pré-candidatura à sucessão de Kayat.
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| Senador com sua pré-cxandidata em Ponta Porã, esposa do Meia Agua - Foto divulgação Facebbook |
Como era de se esperar, o senador petista abandonou a “onda”, afirmando que a escolha do candidato (a) do PT à prefeitura da cidade fronteiriça é um problema do Diretório Municipal do Partido. E sobre a esposa de “Meia Água” não quis se manifestar afirmando que a “conhecia de vista”.
”SURFANDO” NAS ÁGUAS DO RIO PARAGUAI
Profundo conhecedor das águas pantaneiras, pois nasceu em Corumbá, onde viveu até os 14 anos e só retornou já de cabelos grisalhos, pegou uma onda “magistral” em sua cidade, ao assumir publicamente o compromisso de apoiar “o candidato a prefeito indicado pelos integrantes da Câmara de Vereadores, mesmo que o escolhido não pertencesse ao PT”.
Mais uma “onda” enganosa, pois Câmara de Vereadores não tem status de Partido Político e ninguém combinou com aqueles que decidem: os eleitores. Na primeira tomada de intenção de votos o projeto mostrou-se inviável e a “prancha” dos vereadores naufragou, pois o nome da preferência popular era o do deputado estadual Paulo Duarte, do PT. Obviamente o senador recuou, deixando os vereadores “a ver navios”.
NELSINHO: FALANDO FORA DE HORA
Por seu turno, o mais provável candidato do PMDB à sucessão do governador André Puccinelli, prefeito Nelson Trad Filho, de Campo Grande, não está demonstrando firmeza na disposição de enfrentar o petista, deixando claro que se ”Se eu estiver mal na pesquisa o que eu vou fazer lá? Eu defendo quem estiver melhor na pesquisa”, conforme declarou ao Site Midiamax, na manhã de terça feira.
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| Prefeito só entra na disputa se estiver bem nas pesquisas Foto Amparim Lakatos/midiamax.com |
Isto tudo depois do governador André Puccinelli afirmar que se juntar ao PT nas eleições de 2014 é algo hipotético e que acredita no bom desempenho do prefeito campo-grandense. E se não estiver bem nas pesquisas não precisará nem desistir porque o próprio governador e o Partido tomarão a iniciativa de escolher outro candidato para substituí-lo.
Só falta agora o pré-candidato do PMDB afirmar, se for escolhido para representar o partido na eleição para governador, que “não queria ser candidato. Preferia estar pescando no “Touro Morto”, ops, pescando com o Antonio João lá no Piquiri”.
Em eleições anteriores, o eleitorado demonstrou que só vota naqueles que têm vontade, prazer mesmo de governar e o prefeito Nelson Trad Filho está menosprezando seu próprio potencial, pois quem conseguiu recuperar a popularidade junto à população depois do malfadado episódio do IPTU de 2011 não tem o direito de temer o julgamento das urnas.
“DECLARAÇÃO CHINFRIM”
Se ainda estivesse entre nós, aquele que foi o guru que norteou os passos do prefeito campo-grandense durante toda a sua existência, e consultado fosse, com certeza, o repreenderia, dizendo, no seu linguajar peculiar: “Nelson, sua declaração foi chinfrim e não coaduna com o seu nível de sagacidade e inteligência. Vá à luta, filho”.


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