quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Cruza de Jacaré com Cobra D’água ou projeto Frankenstein Tupiniquim?



(*) Valdir Cardoso

Reinaldo Azambuja (PSDB) para senador e Delcídio Amaral (PT) para governador de MS, chapa sonhada pelos dois visionários sem rumo, que querem o poder a qualquer custo, só seria possível se ambos abandonassem suas respectivas siglas, pois as cúpulas nacionais dos dois partidos já se manifestaram que tal pretensão é impensável e desmoralizaria de uma vez por todas as duas combalidas agremiações.

Senador Delcídio Amaral e o deputado federal Reinaldo Azambuja
Na verdade elas só se unem nos envolvimentos de seus membros nos esquemas do mensalão, onde o PSDB tem o seu representante na pessoa do ex-senador e agora deputado federal Eduardo Azeredo (MG) e o PT tem a primazia de ser o criador do esquema que desviou milhões dos cofres públicos, com vários de seus “astros” condenados a cumprirem penas em regime fechado.

Aqui no Mato Grosso do Sul, onde o senador “petista” aportou com plumagem “tucana”, pouco antes da eleição de 1998, quando ameaçou uma imponderável candidatura a governador, acabou trabalhando na coordenação da campanha de Ricardo Bacha (PSDB) no primeiro turno para, logo em seguida, vislumbrando a possibilidade de vitória de Zeca do PT no segundo turno, virou ponto de referência no esquema de arrecadação de fundos para a vitoriosa campanha petista. Da noite para o dia virou “petista de carteirinha”, mudando de “mala e cuia”, mais com a “mala” do que com a “cuia”.

Depois de galgar posto importante na Petrobras no primeiro ano do Governo petista, o escorregadio engenheiro ganhou do então governador Zeca do PT a secretaria de Infraestrutura para viabilizar sua candidatura ao Senado. Ganhou a eleição usando a máquina petista, mas logo traiu o seu benfeitor, ganhando voo próprio e voando mais alto que uma autêntica garça pantaneira.

Já o deputado Reinaldo Azambuja, devido à sua origem rural, sempre foi declaradamente um homem de direita e de família muito ligada à ADEMAT, entidade que caçava comunista em baixo da cama, embaixo do tapete e, principalmente, nas universidades, movimentos populares e órgãos públicos, começou a sua vida pública como prefeito de Maracaju, cidade que administrou durante oito anos e não conseguiu eleger o sucessor porque se uniu com o até então adversário deputado Ary Rigo, com quem andou de “mãozinhas dadas” até que o ex-secretário da Assembleia foi pego em uma gravação que revelou um forte esquema de corrupção.

A união destas duas figuras se torna muito estranha, até pelas suas histórias que em alguns momentos se cruzam, mas que são até certo ponto antagônicas, e também por pertencerem a partidos que se agridem nacionalmente, com o partido do deputado Reinaldo Azambuja acusando o PT de ter instalado no poder uma máfia para “roubar dinheiro público”, conforme denuncia seguidamente o combativo senador Álvaro Dias (PSDB/Pr), enquanto os petistas acusam os tucanos de terem praticado horrores durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique, dentre os quais o episódio que os petistas classificam de “privataria”.

Esta união espúria, estapafúrdia e até promíscua, questionável sob os pontos de vista ético e ideológico, não se consumará e cada terá que se juntar aos seus, pois até aqui não está dando para saber qual dos dois está tentando enganar mais.

É até possível que no desenrolar dos fatos, com o PMDB lançando o seu candidato à sucessão do governador André Puccinelli, aconteça até uma composição com o PT da presidente Dilma, uma vez que o deputado Reinaldo Azambuja tem hoje a obrigação moral de ser o candidato a governador e dar palanque ao senador Aécio Neves no confronto com a presidente Dilma Rousseff. Delcídio não poderá estar neste palanque. Mudará de partido para estar com Reinaldo ou finalmente vai seguir a orientação nacional de se acertar com o partido do vice-presidente Michel Temer, como deverá ocorrer em todos os Estados.

(*) O autor foi vereador, prefeito de Campo Grande e deputado Estadual. É diretor do jornal eletrônico http://www.ojornalms.com.br/



 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O momento exige muito trabalho


(*) Valdir Cardoso

Esta discussão entre o ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), e o atual Alcides de Jesus Bernal (PP) está até deixando de ser estéril e está chegando ao ponto de ser classificada como histérica. A discussão estéril, normalmente registrada entre adversários políticos, não leva a nada e muitas vezes é até recheada de lances dignos de programas humorísticos, enquanto que a discussão histérica, sem nenhuma pitada de humor, chega as raias do absurdo, com reais prejuízos à população.

Enquanto o ex-prefeito ainda está em busca de um novo rumo depois que deixou o poder desempenhado durante oito anos, o atual, com pouco mais de vinte dias à frente do comando do município, indica que a espetacular vitória nas urnas abalou o seu sistema psicológico fazendo-o perder o rumo e o prumo. Na verdade dá claras demonstrações de que surtou.

Chegando ao cúmulo de levantar suspeitas de que por traz das invasões de áreas públicas estariam políticos “que perderam as eleições”, o prefeito faz uma acusação grave e sem provas, se desentende com o Legislativo, recebe apoio administrativo do governador e, mal agradecido, faz questão de esconder a verdade dando sempre a entender que está sendo discriminado pelo chefe do Poder Executivo Estadual.

Oras, o governador André Puccinelli, mesmo sem o prefeito solicitar, renovou a cedência de quase trezentos funcionários estaduais (pagos pelo Governo) para prestarem serviços aos CEINFs da Prefeitura da Capital, bem como alertou o prefeito Bernal sobre a necessidade da assinatura de convênios para que Campo Grande não fosse prejudicada. O que quer o prefeito? Que o governador convença os vereadores, muitas vezes agredidos pelo novo alcaide, apoiem de olhos fechados todas as suas ações? que o governaor indique pessoas competentes para compor o seu secretariado?

Neste aspecto é preciso reconhecer que pelo menos em uma secretaria a nova administração mudou alguma coisa e foi exatamente na Secretaria da Receita e Controle que tinha um servidor de carreira, Cesar Estoduto, como secretário e foi substituído pelo auditor Fiscal Gustavo Freire que, como primeira medida no posto, tomou uma providência “saneadora”: determinou a troca do número do gabinete do secretário. Anteriormente era o gabinete número 13 e agora passou a ser o número 11. Não se sabe se o novo secretário seja um supersticioso ou não gosta nenhum pouquinho dos aliados petistas. 13 é o número do PT e 11 é o do PP, partido do prefeito.

Possivelmente o secretário encontrou o importante setor da administração sem nenhum tipo de problema e por isto tenha tido tempo de para se preocupar com coisas tão insignificantes.

Exemplo de maturidade e compromisso com sua cidade deu o prefeito Paulo Duarte (PT), que como deputado foi um dos mais ferrenhos críticos do governo peemedebista, imediatamente após a posse procurou o governador afirmando que agora pertence a uma nova sigla – o PC- PARTIDO DE CORUMBÁ.

Mandou bem o prefeito corumbaense que está consciente de que precisa contar com a colaboração de todos, independente de siglas partidárias, porque o objetivo deve ser a melhoria da qualidade de vida da população.

O governador deu a sua resposta realizando um encontro com todos os prefeitos eleitos, colocando-se a disposição para ajudar A TODOS os administradores municipais o que, segundo ele próprio, “não é nenhum favor porque o interesse da população está acima das siglas partidárias e a eleição é coisa do passado”.

A hora é de guardar as armas para as próximas batalhas. É hora de trabalhar em benefício daqueles que pagam os salários dos administradores: o povo.

(*) o autor foi vereador, presidente da Câmara da Capital, prefeito de Campo Grande e deputado estadual. É jornalista e diretor do site http://www.ojornalms.com.br/

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vamos torcer por Campo Grande, ou não?



(*) Valdir Cardoso 

Críticas exacerbadas ou elogios escancarados em relação ao início da administração do prefeito Alcides Bernal em nada contribuem para melhorar a qualidade de vida dos campo-grandenses. No primeiro caso demonstra raiva e rancor diante de uma derrota até certo ponto inesperada e, pior, total falta de respeito à decisão da maioria do eleitorado da Capital sul-mato-grossense e, NO SEGUNDO, a “babação de ovos” praticada até por alguns que “mamaram” durante anos nas “tetas” da Prefeitura administrada pelo PMDB é uma atitude asquerosa, condenável e oportunista.

Até alguns que bandearam para a campanha do vencedor “depois da onça morta”, no segundo turno, já começam a ver Bernal como a grande liderança estadual. Nada disso. Ele ainda terá que, através do trabalho, muito trabalho, chegar ao patamar de um André Puccinelli, de um Delcídio do Amaral, de um Zeca do PT, de uma Simone Tebet, de um senador Waldemir Moka ou de um Nelsinho Trad.

Todos estes nomes, entre outros, passaram por um aprendizado de muito trabalho e muitos quilômetros rodados. Uma liderança não se forja da noite para o dia.

E o Bernal? Ele não saiu do nada. Ele surgiu depois de um trabalho incansável na mídia para se eleger vereador e deputado com expressivas votações, mas só agora tem a oportunidade de mostrar como agirá na gerencia da nossa cidade, cuja população – mesmo aqueles que votaram contra- torce pelo seu sucesso, pois desejar o insucesso de uma administração é o mesmo que dar um tiro nos próprio pé.

Quem perdeu deve se reorganizar para, no momento oportuno, tentar reconstruir o caminho de volta e os que chegam agora ao comando da cidade terão que trabalhar muito para tentar superar o que foi feito durante as administrações de André Puccinelli e Nelsinho Trad, pois nem os mais ferrenhos adversários podem negar o sucesso absoluto das administrações peemedebistas.

Problemas que estão surgindo neste início de administração são perfeitamente naturais e não servem como indicativo do que será o governo de Bernal e muito menos pode ser debitado à administração passada, pois são fatos que ultrapassam a vontade do administrador.

Portanto vamos, todos nós, torcer para que Campo Grande continue no rumo certo e a sua população tenha, de fato, uma efetiva melhoria na qualidade de vida.

(*) O autor foi prefeito de Campo Grande, vereador, presidente da Câmara Municipal e deputado estadual. É jornalista e editor do Site www.ojornalms.com.br

domingo, 30 de dezembro de 2012

Tapa-buracos, transportes coletivos e Mídia: "As Galinhas dos Ovos de Ouro"


AS GALINHAS DOS OVOS DE OURO


(*) Valdir Cardoso 

A maioria das pessoas bem informadas de Campo Grande tem conhecimento de que durante os últimos oito anos esta palhaçada chamada operação “tapa-buracos”, as concessões para a exploração dos serviços de Transportes Coletivos dadas pela Prefeitura e a Mídia “rateada” – o que vem a calhar - aos áulicos do Poder, foram, sem sombras de dúvidas, as fontes arrecadadoras para a manutenção da estrutura de grupos políticos que integram a “corriola” do já quase ex-prefeito Nelson Trad Filho. Eram estes segmentos as verdadeiras “galinhas dos Ovos de Ouro”.

Sabe-se que é praticamente impossível mensurar quantas toneladas de material betuminoso é aplicado para cobrir os buracos que surgem após qualquer chuvisco na frágil pavimentação dos bairros de Campo Grande, cujas ruas apresentam um verdadeiro retalho em seu leito “carroçável”, nome apropriado, isto porque após o fechamento das “crateras” tais vias ficam parecendo pista para carroças mesmo.

TAPA-BURACOS  

O único serviço que nunca parou durante os oito anos do mandato que expira nas próximas horas foi a operação “tapa-buracos”, terceirizado para duas empresas há mais de seis anos, como se a Prefeitura não tivesse condições para executar tal serviço por administração direta, o que reduziria o seu custo em –pasmem- mais de 60% . E não tem condições mesmo, porque em passado não tão distante tinha e estava preparada, mas hoje c om os maquinários, caminhões etc., estão completamente sucateados pela ação do tempo e de uma gestão imcompetente à frente da secretaria de Obras da Prefeitura.

Muitas vezes este problema foi atacado até certa virulência por vereadores da própria base do prefeito em fim de mandato, dentre os quais dois de seus ex-líderes, que depois dos primeiros “ataques” eram silenciados, possivelmente em troca de algumas benesses em outra área. Outras vezes, os “denunciantes” queriam mesmo era indicar uma nova empreiteira para pegar o rico filão da “galinha dos ovos de ouro”, que sorveu, derreteu e esbanjou recursos que poderiam ter sido aplicados na Saúde e na Educação.

Se falo/escrevo sobre a execução de serviços por administração direta pelas prefeituras é porque tive a oportunidade de, ao assumir a prefeitura de Campo Grande, em menos de duas semanas construímos uma ponte sobre o córrego Segredo, na Rua Euler de Azevedo, no Bairro São Francisco, reestabelecendo o tráfego de veículos para a CopaSul e toda a saída para a BR 080, saída para Rochedo, que estava interrompido a mais de seis meses. Testemunhas estão aí: os antigos comerciantes da região e os verdadeiros executores da obra: Engenheiros José Divino, meu secretário de Obras, hoje aposentado como engenheiro do Município e o também engenheiro Wilson Cabral, atual Secretário de Obras do governador André Puccinelli. Na época, “Cabralzinho” era um engenheiro recém-formado e trabalhava mais de 10 horas por dia, porque a Gestão que tinha como slogan “O Povo no Poder” executava obras por administração direta e economizava para os cofres públicos. FICA A DICA.


TRANSPORTES COLETIVOS

Como é do conhecimento geral, os serviços de transportes coletivos são executados por empresas particulares que, obviamente, visam lucros e são castigadas pelo excesso de “gratuidades” e principalmente, o que é pior, sofrem com o pagamento de propinas a gestores do setor, forçando aí a elaboração de uma planilha falsa, o que ENCARECE o preço da tarifa.

Este setor, aliás, é um dos que o prefeito a ser empossado, Alcides de Jesus Bernal, conhece muito bem até porque foi presidente da Comissão de Transportes da Câmara de Vereadores e já teve o patrocínio da ASSETUR, entidade que reúne as empresas que exploram os transportes coletivos em Campo Grande, em um dos seus programas na mídia.

MÍDIA... SÓ PARA APANIGUADOS

Este também poderá ser um assunto que deve merecer a atenção da próxima administração e da futura Câmara de Vereadores da Capital. Até 31 de dezembro só eram aquinhoados com recursos da verba de divulgação da Prefeitura da Capital aqueles que estavam em uma relação que só o prefeito e o super-secretário Paulo Nahas ( aliás, um dos poucos auxiliares competentes, ao lado de Cesar Estoduto (Receita) e Maria Cecília Amêndola (ex-titular da Educação) tinham acesso. O pobre do assessor de comunicação social só recebia a relação depois de liberada pelo chefe, com os nomes dos apaniguados/beneficiários da verba pública. Um fantoche e por isto mesmo seus antecessores pediram o boné.   

A solução para esta área é simples e tudo indica que o futuro prefeito fará modificações, porque, como homem de imprensa, ele sabe que a imprensa séria (se é que existe...) só recebe o pagamento correspondente às inserções de interesse do Município e não pelos elogios escancarados a um prefeito narcisista.

A solução aqui é simples: Exija principalmente dos sites de notícias RELATÓRIOS DE ACESSO emitidos pelo GOOGLE ANALITIC, que não manipulado, pois existem sites e blogs que não têm nem vinte acessos diários e recebem (só até dia 31/12) valores enormes dos cofres municipais. Isto sem se falar em “devezenquandários”, revistas sem nenhum conteúdo e de circulação duvidosa que eram beneficiadas. Isto precisa acabar, e já.

E O BERNAL, VAI MATAR A GALINHA DOS OVOS DE OURO?

Apostas já são feitas que dificilmente a indústria do “Tapa-buracos” será sepultada, porém é quase certo que aqueles que exigiram mudanças passarão a exigir ações seguras e não a simples troca de empreiteiras para executar os serviços de recuperação da esfarelada malha asfáltica de Campo Grande. A saída repito, mais uma vez, é a imediata recuperação dos equipamentos da Secretaria de Obras e a compra de novos caminhões para atender a demanda da secretaria.

Se ela não executa nenhum serviço, pergunto: Para que serve a onerosa secretaria de Obras?

Este artigo pode até servir de orientação ao prefeito, em relação aos três setores, e deve ser levado a sério porque é assinado, modéstia as favas, é assinado por alguém que já passou por lá e saiu, graças a Deus, de mãos e consciência LIMPAS.

Por outro lado é perfeitamente natural que é de “onde nada se espera é pode sair algo surpreendente... ou nada mesmo”. FICA A DICA.

(*) O autor é jornalista e foi vereador, presidente da Câmara Municipal, prefeito de Campo Grande e deputado estadual. É editor do Site www.ojornalms.com.br  

      

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Prefeito Bernal no Rumo certo


(*) Valdir Cardoso


Não restam dúvidas que foi necessáriaa intervenção de “bombeiros de plantão”, principalmente a providencial ação do coordenador do evento denominado “Amigos da Paz”, Carlos Alberto Assis, para que o atual prefeito, Nelson Trad Filho, e o prefeito eleito, deputado Alcides Bernal, mantivessem o primeiro contato público e cordial, encontro realizado na tarde de sábado no Estádio Elias Gadia.

(Foto Cleber Gellio /midiamax.com)


Os dois administradores deram uma demonstração que finalmente entenderam que Campo Grande e sua gente são muito mais importantes do que suas eventuais divergências ou interesses políticos. 

Deram o primeiro passo para que a Capital de Mato Grosso do Sul continue no “Rumo Certo”, sem que nenhum grupo abra mão de suas convicções e interesses pessoais porque falar em ideologia quando se trata de político brasileiro é uma verdadeira blasfêmia. 

Dando sequencia à demonstração de civilidade na presença de jornalistas e atletas que prestigiaram o tradicional evento esportivo, Bernal e Trad tiveram oportunidade de demonstrar que não é sem razão o apoio popular que têm recebido da população campo-grandense, sendo que o prefeito eleito, além de dirigir brincadeiras a adversários e jornalistas que estiveram contra ele durante a campanha, afirmou textualmente que vai precisar conversar com o prefeito atual e com outros que já passaram pela Prefeitura para “aprender um pouco” com a experiência de seus antecessores, numa clara demonstração de que já desceu do palanque e vai colocar a mão na massa para não decepcionar os seus mais de 270 mil eleitores e tentar conquistar os outros mais de 160 mil que votaram em seu opositor, o deputado federal Edson Giroto. 

Seria o chamado “espírito natalino” que teria movido integrantes das duas principais correntes políticas da capital a darem esta demonstração de que adversários não precisam ser inimigos e muito menos andar de “mãozinha dadas”? Na verdadeprecisam sim agir com responsabilidade e não torcer contra aqueles que terão a obrigação de conduzir com dignidade, entusiasmo e transparência o comando da nossa Campo Grande e da sua população.

A reunião de ontem entre Alcides Bernal e Nelson Trad Filho foi o ponta pé inicial de um relacionamento de respeito mútuo, faltando apenas que o futuro prefeito procure imediatamente aquele que já administrou Campo Grande com inegável sucesso, que é o governador André Puccinelli, que reiteradas vezes tem pregado a união da classe política em benefício do desenvolvimento de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, demonstrando estar plenamente a vontade para dar a sua contribuição para que Alcides Bernal faça uma administração a altura da expectativa daqueles que lhe confiaram o voto, além de impedir que a Capital perca recursos provenientes de convênios que precisam ser implementados imediatamente.

 Apos o encontro entre Alcides Bernal e André Puccinelli poderemos dizer que o prefeito a ser empossado no primeiro dia de janeiro está realmente no “Rumo Certo”.   E aqueles que amam esta terra abençoada por Deus e habitada por gente trabalhadora agradecem, pois a política da “Terra Arrasada” é coisa do passado. 

(*) O autor é jornalista e foi presidente da Câmara de Vereadores da Capital, prefeito de Campo Grande e deputado estadual. É diretor do Site www.ojornalms.com.br

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Eduardo Carvalho: Mais um crime insolúvel?


Valdir Cardoso (*)


O assassinato do proprietário do Site de notícias UH News corre o sério risco de ser incluído no rol dos crimes considerados insolúveis, tais como o de Edgar Lopes de Farias (o Escaramuça), Edgar Pereira, Murilo Boarin Alcaide/Eliane Ortiz, e mais recentemente do desaparecimento de Daniel Alvarez Georges, e ainda as mortes violentas que vitimaram Andrey Galileu Cunha, Paulo Rocaro e de Luiz Henrique Georges (o Tulu), estes dois últimos de Ponta Porã.

Pode parecer estranho que tantos crimes ligados a homens de imprensa ou com fortes ligações com a contravenção e outros sem vínculos com nenhum dos setores (caso de Murilo, que era apenas um garoto) tenham sido cometidos com os mesmos requintes de crueldade e perfeição, sem deixar rastro possível de identificação dos mandantes, o que caracteriza como a autoria sendo de profissionais da pistolagem. O que os coloca no mesmo patamar e muitos deles podem ser facilmente descritos como queima de arquivo ou tentativa de chantagem, e o fato de surgirem “suspeitos” criados para confundir as investigações, deixando os verdadeiros mandantes fora do foco e que, em alguns casos, podem ter o mesmo endereço.

Até um colega jornalista entrou no rol dos “suspeitos fabricados”, políticos e autoridades chegaram a ser acusadas nas redes sociais de terem “ordenado” o assassinato de  polemico e inconsequente Eduardo Carvalho, que fazia questão de falar para quem quisesse ouvir que “tinha as costas quentes e que ninguém teria coragem para tirá-lo de circulação”.

A cortina de fumaça lançada sobre todos estes casos visa proteger alguém muito poderoso, pois a tentativa de envolvimento de autoridades dentre os quais o prefeito Nelsinho Trad se transformou em motivo de chacotas, com pessoas afirmando que, além de relevar passivamente todo tipo de agressão, empurrando tudo com a barriga, o chefe do Executivo da Capital “não é capaz de matar nem um mosquito... da dengue”, quanto mais se vingar violentamente de algum tipo de desafeto.

A ligação entre estes crimes existe, só que ninguém tem coragem de levar uma investigação por este caminho.

E pior: Se por acaso algo for feito neste sentido – para levantar possíveis ligações entre os crimes – uma nova onda de assassinato tende a ocorrer.

Ao fazer esta declaração coloco minhas “barbas de molho”, pois de ameaças já estou de “saco cheio...” Só não quero que elas ( as ameaças) se materializem, pois mais uma vez vou afirmar: Existem ligações entre quase todos os crimes cometidos. Toda semelhança entre eles NÃO É MERA COINCIDÊNCIA. FICA A DICA.

(*) O autor é jornalista e foi presidente da Câmara de Vereadores, deputado estadual de Mato Grosso do Sul e prefeito de Campo Grande. É jornalista e editor do site  http://www.ojornalms.com.br/


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ayres Britto ressalta derrubada da Lei de Imprensa como maior legado

 

Presidente do STF se aposenta após completar 70 anos e faz, em entrevista a Renata Lo Prete, balanço dos quase dez anos na corte.


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, considera que o trabalho mais importante que teve em dez anos na corte foi a derrubada da Lei de Imprensa, em 2009. A afirmação foi feita em entrevista à editora de política do "Jornal das Dez", da Globo News, Renata Lo Prete. Assista ao lado à íntegra da entrevista.
Ayres Britto completa 70 anos no próximo domingo (18), quando será obrigado por lei a se aposentar. Sergipano de Propriá, chegou ao STF em 2003, na primeira leva de indicações promovida pelo então presidente Lula. Na quarta (14), presidiu pela última vez uma sessão do tribunal, fez discurso de despedida e foi homenageado.
Eu diria que a mais importante de todas as decisões, a mais importante de todas, foi a que deu pela plenitude da liberdade de imprensa. Por quê? Porque pela liberdade de imprensa ocorre no país o que há de mais importante, mais essencial, quem quer que seja pode dizer o que quer que seja. Responde pelos excessos que cometer, mas não pode ser podado por antecipação"
Ayres Britto
Na entrevista a Renata Lo Prete, o ministro conta momentos difíceis durante o julgamento do mensalão (ação penal 470), diz que "essas decisões do Supremo na ação penal 470 sinalizam uma virada de página na direção de um Brasil com melhor qualidade na vida política", reflete sobre o papel do juiz, os casos que relatou e o legado de transformações de uma presidência de sete meses, uma das mais breves da história do Supremo.
Sobre seu maior legado, o ministro destaca a derrubada da Lei de Imprensa, que havia sido editada 1967, durante o regime militar. Ayres Britto foi o relator do processo no STF que, em 2009, considerou a lei inconstitucional e a revogou. A derrubada da lei da imprensa, segundo o ministro, derrubou toda possibilidade de censura, garantindo que todos possam dizer o que quiserem, sem, no entanto, impedir depois que respondam pelos excessos que cometerem.
Leia a seguir a íntegra da entrevista:
Renata Lo Prete - A dosimetria (definição das penas) saiu mais complicada que a encomenda?
Carlos Ayres Britto - Saiu. Brincando, eu digo que dosimetria é dose. Por que é dose? É algo difícil? Porque é o momento culminante de um julgador apenar, castigar o réu, o ser humano. Aí ele percebe que aquele réu é um ser humano e que faz jus a direitos que são fundamentais, como, por exemplo, o maior de todos, o direito a individualização da pena. A pena tem que ser aplicada por uma forma rigorosamente individualizada, mas individualizada no plano da protagonização objetiva das coisas, mas também da subjetividade do réu. A história do réu conta nessa hora, a história do réu não conta na primeira fase, que é o juízo de incriminação, se ele incorreu ou não incorreu em delito. Na segunda fase, da apenação, a personalidade dele conta, a personalidade dele, diz o artigo 59, conta. O histórico de vida conta nesse segundo momento. O Código Penal, no artigo 59, lista oito vetores para que a pena seja aplicada por modo individualizado. Não quantifica, em termos de pena, numericamente mesmo, nenhum dos vetores, pena mínima ou pena máxima. Para nenhum desses oito vetores, o Artigo 59 avança uma aritmética. Então há um espaço de subjetividade para o juiz e o juiz fica preocupadíssimo com isso. Porque o juiz gosta de ser objetivo, para depois não ter remorso, para incidir o menos possível em erros. Quando os parâmetros são todos objetivos, a possibilidade de erros é muito menor. Quando são subjetivos, a possibilidade de erros é maior, suas antipatias e simpatias inconscientes, chamadas de gratuitas, elas afloram nesse momento da dosimetria.
Para chegar a um denominador comum em termos de dosimetria, é algo trabalhoso. Muitas vezes é algo, sem trocadilhos, penoso. O público não sabe disso quando não há a transparência, ou seja, o julgamento não é exibido pela televisão ou pela internet, o produto já chega para o público pronto. Agora não, é um produto que, para atingir o seu ponto de perfazimento, passa por fases que são discussões até acaloradas, como temos visto nas sessões.
Renata Lo Prete - O senhor foi uma das pessoas que mais se empenhou para respeitar os direitos de todos, os prazos, para que esse julgamento se realizasse este ano. Lhe dói não proclamar esse resultado?
Carlos Ayres Britto - Não, não dói, porque as coisas não se passam de acordo com a nossa vontade do ponto de vista arbitrário. O importante era julgar esse processo, porque os fatos aconteceram há mais de sete anos. A denúncia foi recebida há mais de quatro anos e temos mais de um ano, começo de junho, quero crer, nós já tínhamos um ano de completada a fase de instrução criminal. O processo estava completamente pronto. Então que desculpas nós tínhamos para não julgar? Quando chegavam para mim e diziam 'Mas ministro, para que julgar?', eu dizia: 'E por que não julgar?'. Basta lembrar que a lei diz assim: ultimada a instrução, o processo criminal, sobrevem o julgamento. Então, era preciso julgar, por dever nosso. Condenar, absolver, isso é contingencial, isso vem como consequência do julgamento. Agora, era preciso julgar. E nove ministros assim concluíram unanimemente.
Renata Lo Prete - Mais de três meses do julgamento, quase quatro, olhando para trás, desde agosto, se o senhor tivesse que lembrar de um momento difícil...
Carlos Ayres Britto - Houve momentos difíceis, que eu encaro com certa naturalidade e chamo isso de intercorrências, de acidentes de percursos. O que não pode haver é pane. Esse substantivo pane é até do ministro Gilmar (Mendes). Não pode haver pane processual, impasse processual.
Renata Lo Prete - Se tivesse que lembrar alguma coisa...
Carlos Ayres Britto - Logo no começo, na primeira sessão, nós ali nos bastidores, combinamos sim, que a metodologia prevalecente seria a do relator, como sempre foi na história do Supremo Tribunal Federal e de qualquer tribunal. O presidente da casa preside o julgamento, preside as sessões, mas quem preside o processo é o relator. Então, houve uma resistência, conhecida, a que a metodologia de julgamento do relator preponderasse, prosperasse. Mas nós conseguimos resolver isso. Porém, no momento subsequente, já em plena sessão, quando o ministro relator anunciou sua metodologia, o ministro revisor se opôs, e aí houve um momento de muita fricção, de muita tensão. Eu tive que dizer, junto com o ministro Celso de Mello, por exemplo, 'então cada ministro vota com sua própria metodologia'. Foi o modo de sair do impasse.
Porém, o ministro revisor, um pouco mais além, algumas horas depois, anunciou que se submeteria, acertadamente, à metodologia do relator, que foi a metodologia do fatiamento, dos temas e dos réus segundo a ordem da denúncia. Foi lógico isso, o ministro Joaquim Barbosa teve esse extraordinário mérito de adotar o método adequado para essa causa. Além de outro mérito, que a história vai registrar: o ministro Joaquim Barbosa agiu como um legista, fazendo a autópsia, no caso dos fatos. Ele reconstituiu materialmente os fatos por uma forma absolutamente fidedigna e fez um link entre os fatos, na sua ocorrência, na sua fenomenologia e os respectivos autores e partícipes.
Renata Lo Prete - Muitos momentos de atrito de grande tensão no Plenário. O senhor acha que somente sendo um algodão para conseguir conduzir os trabalhos?
Carlos Ayres Britto - A metáfora do algodão entre cristais é perfeita no sentido de que, quando a taxa de cordialidade sobe, a taxa de gentileza, cortesia, de atenção de um colega para os demais, o processo flui. Chega a ser uma técnica de gerenciamento de conflitos. Há um livro da jornalista Leila Ferreira que diz exatamente isso, que a cordialidade em ambientes coletivos de trabalho se torna um fator de eficiência. E como o processo é marcha, não é contra marcha, processo é um seguir adiante, é um mandar para frente, termina sendo um andar para a cima, porque tudo se ajeita e se ajusta. Eu me esforcei para que a taxa de cordialidade entre os ministros permanecesse alta.
Renata Lo Prete - Algumas pessoas achavam que, porque a maioria dos ministros da atual composição da corte foi indicada durante o mandato do então presidente Lula, do PT, partido que tem alguns dos principais réus da ação penal 470, os ministros se comportariam de outra forma, o julgamento não produziria condenações. O que o senhor tem a dizer sobre esse pensamento?
Carlos Ayres Britto - É preciso separar as coisas, entender bem a natureza das coisas. O cargo de ministro do Supremo, não é cargo em comissão, nem é função de confiança. Cargo de ministro do Supremo é para ser exercido com absoluta independência, a prerrogativa da independência é para ser exercitada a todo instante.
A soberania do judiciário passa por essa coragem, por esse destemor de assumir a própria independência. Gratidão do plano pessoal é uma coisa que deve existir sempre, pela sua chegada aqui, por efeito da indicação do Presidente da República. Cada um dos ministros teve sua indicação e posterior nomeação feitas por um Presidente da República que estivesse no cargo. Agora, não se pode ser grato com a toga. A toga exige de cada um de nós fidelidade às leis e notadamente à Constituição, porque o Supremo é o guardião mor, maior da Constituição. E como a Constituição é o mais legítimo dos documentos jurídicos, porque é produzido não pelo povo, quadrienalmente convocado, a Constituição é produzida pela nação, e nação é um conceito atemporal. Passado, presente e futuro. Nação incorpora da primeira geração, da mais antiga geração a mais atual, a nação é dotada de uma vontade normativa, uma vontade jurídica permanente, e essa vontade jurídica permanente da nação - da nação chega a ser um cacófato, mas é inevitável – essa vontade permanente é derramada na Constituição. E a Constituição depositária da vontade normativa permanente da nação, que é mais do que o povo, ela, a Constituição, governa permanentemente quem governa transitoriamente. Então, a legitimidade do juiz e, sobretudo do ministro do Supremo, decola, arranca do seu apego irrestrito à Constituição. Ele só é grato à Constituição. Unicamente.
Renata Lo Prete - Alguns réus têm atacado as decisões do Supremo de uma maneira bastante ácida. Como o senhor vê? O senhor acha que essas manifestações aceitáveis, adequadas?
Carlos Ayres Britto - Isso faz parte da liberdade de expressão. Eu sou um apologista da liberdade de expressão por haver relatado aquela Adin, Ação de Direito da Inconstitucionalidade, que cominou com o reconhecimento da plenitude da liberdade de expressão em nosso país, da liberdade de pensamento, liberdade de informação e liberdade da expressão lato sensu, criação artística, as descobertas científicas, liberdade de expressão numa maneira mais geral possível. Então, criticar o Supremo é válido. Aplaudir também é válido. Isso não me tira do sério, não me tira do eixo. Eu ouço e respeito os pontos de vistas. Leio, ouço e respeito. Agora, o meu juízo pessoal da conduta do Supremo Tribunal Federal, na condução dessa Ação Penal 470, é um juízo de aplauso. Eu acho que o Supremo tem agido por modo técnico, por modo fundamentado, tem fundamentado, por modo transparente, por modo independente, por modo atual e por modo desassombrado como deve ser.
Renata Lo Prete - Nisso, qual que o senhor acha que é o principal legado do julgamento da Ação Penal 470?
Carlos Ayres Britto - O Supremo Tribunal Federal vem interferindo no curso da vida, Renata. Isso é fato. Eu aplaudo as decisões que o Supremo tem tomado, inclusive nessa, da Ação Penal 470, que sinaliza, que traduz um vislumbre pelo menos de virada de página na direção de um Brasil com melhor qualidade na vida política, e que abomina, excomunga a formação de alianças partidárias ou parlamentares, à base de propina e de outros crimes, lavagem de dinheiro, por exemplo, evasão de divisas, peculato. É uma postura do Supremo que me parece rigorosamente técnica, porque fiel à Constituição, que é um documento técnico. Do ponto de vista jurídico ele é um documento técnico, e uma decisão que corresponde a anseios coletivos. Não que o Supremo seja submisso, seja escravo, seja refém da opinião pública, não se trata disso. Mas quando uma decisão do Supremo Tribunal Federal coincide com um pensar coletivo mais profundo, mais legítimo, é a glória, porque aí se dá a conciliação da vida com o direito. E quando o juiz percebe que está conciliando o direito com a vida, a vida mais arejada desses pontos de vista ético, ecológico, democráticos, cívico, o juiz percebe que ser juiz é mais do que um meio de vida, é uma razão de viver.
Renata Lo Prete - Saindo um pouco da Ação Penal 470, eu queria falar um pouco sobre casos importantes dos quais o senhor tratou, que o senhor relatou, durante os seus quase dez anos como ministro dessa casa, casos como o da Raposa Serra do Sol, da união homoafetiva, das pesquisas com célula-tronco, a Lei de Imprensa. O que o senhor diria que foi o seu trabalho mais importante ou os seus trabalhos mais importantes na corte?
Carlos Ayres Britto - Eu diria que a mais importante de todas as decisões foi a que deu pela plenitude da liberdade de imprensa. Por quê? Porque pela liberdade de imprensa ocorre no país o que há de mais importante, mais essencial, quem quer que seja pode dizer o que quer que seja. Responde pelos excessos que cometer, mas não pode ser podado por antecipação. Ou seja, não é pelo medo do uso, pelo medo do abuso, não é pelo temor, pelo receio do abuso que se vai proibir um uso. A liberdade de expressão está na linha de largada da democracia, e a democracia, que é o princípio dos princípios da Constituição de 1988, é a menina dos olhos da Constituição. O princípio estruturante do estado, da sociedade, do governo, da administração, não é dizer, como outro dia eu vi um governante sul-americano dizer equivocadamente: ‘A democracia não é incompatível com a liberdade de imprensa’. Não é isso. O certo é: não há democracia sem liberdade de imprensa.
Renata Lo Prete - Saindo agora do seu legado como ministro, vamos falar um pouco do seu período na presidência, eu fui pesquisar, salvo engano meu, me corrija se eu estiver enganada, só dois presidentes tiveram um período mais breve do que o seu no comando do Supremo. O que o senhor gostaria que ficasse como a marca da sua presidência no Supremo?
Carlos Ayres Britto - Eu acho que o maior exemplo, vamos dizer, a melhor pregação que tentei fazer é dar essencialidade e superioridade absoluta da democracia. Agora, no âmbito da democracia com relevo para a atuação do poder judiciário, por ser o poder judiciário, a âncora definitiva de confiabilidade do corpo social em que a sua Constituição e todo o direito, Constituição e leis em geral, serão respeitadas. Constituição e leis em geral. Só o judiciário, num regime democrático, antes de tudo democracia, conceituada como geminada à liberdade de imprensa, irmã siamesa da liberdade de imprensa. Só no âmbito da democracia é que se tem um poder judiciário soberano, ocupando o espaço da soberania para vetar e sancionar o que estiver de acordo com a ordem jurídica. Vetar o que estiver em desacordo. Sancionar o que estiver, sancionar positivamente, afirmativamente, o que estiver de acordo com a ordem jurídica.
Renata Lo Prete - O senhor já teve uma experiência em política partidária, já foi candidato uma vez. O senhor admite a possibilidade de voltar a enveredar por esse caminho?
Carlos Ayres Britto - Não. Não. O livro da vida ensina a virar páginas. Lógico, né. Senão não seria o livro da vida. Essa página está virada. Eu não volto para a vida político-partidária. Eu vou cuidar de escrever, de ler, seja na área jurídica, seja poética, seja até com alguns experimentos holísticos, quem sabe. Mas político-partidária não.